Às 20:00 do dia 16 de fevereiro eu me dirigi, juntamente com a minha irmã, ao Teatro dos Bancários de Brasília, para ver o show do John Lawton em Brasília.
Eu nunca iria perder esse show, pois sou fã do cara e de sua antiga banda, o Uriah Heep. Por algum motivo que eu não sei explicar, a música que eu mais gosto é aquela feita antes de eu nascer ou na época em que eu era praticamente um bebê. Sou uma saudosista de uma época que nem vivi e me orgulho disso!
Para quem não sabe, John Lawton tocou no Uriah Heep nos anos 70, substituindo o vocalista original, David Byron. Ele gravou uns três discos com de estúdio com a banda, sendo que um deles eu tenho e posso dizer que é bom para cacete, o Innocent Victim. Comprei o vinil usado e caindo aos pedaços há uns anos atrás e não dou, nem vendo, nem troco. Além do Innocent Victim, ele gravou com o Uriah Heep os discos Firefly e Fallen Angel, além de dois álbuns ao vivo, Live in Europe 79 e The Magician's Birthday Party.
Mas quem estava posando de Innocent Victim mesmo antes do show era a minha irmã, que é uma advogada careta e havia sido arrastada para o show comigo. Ela já tinha visto o Uriah Heep em 2006 e tinha uma vaga idéia do que se tratava, mas não estava muito a fim de perder o Big Brother para ver um show no início da semana (logo numa segunda-feira!). Sabe, embora eu seja a irmã mais nova, às vezes eu me sinto obrigada a educar musicalmente a minha irmã mais velha para protegê-la de coisas nefastas como influências funkeiras.
Mas no final ela se amarrou muito, pois o grande John Lawton mandou muito bem e o show foi emocionante. O fato de haver poucas pessoas (umas duzentas), tornou o evento muito mais pessoal e cativante.
O interessante é que havia gente de todas as idades na platéia, desde crianças com os pais até cinquentões que haviam curtido o som do Uriah Heep nos anos 70, passando por adolescentes que haviam conhecido o Uriah Heep e o John Lawton há pouco tempo e já amavam a banda. Isso me levou a crer que o Brasil ainda tem jeito e que as novas gerações não estão condenadas a ouvir o Créu pela eternidade. Ainda existe gente nova com bom gosto musical!
A abertura ficou por conta de uma banda cover do Uriah Heep chamada Senta A Heepa. Quando eu vi que existia uma banda cover do Uriah Heep em Brasília, eu não acreditei... Mas existe mesmo e os caras são muito bons. O vocal deles é o Lucky, que alcançou todos os agudos de clássicos da época do David Byron.
Os músicos do Senta A Heepa são excelentes e, depois de divertirem o público, deram espaço para a atração principal.
John Lawton subiu no palco e esbanjou carisma e simpatia. Sua voz maravilhosa não mostra o efeito dos muitos anos de carreira. Foi impressionante ver como alguém de mais de sessenta anos canta tão bem ou melhor do que a maioria dos caras mais novos. Ele levou canções da sua época com o Uriah Heep, da época do vocalista anterior da banda, o David Byron, de sua carreira solo, e também de sua antiga banda, o Lucifer's Friend.
Confesso que eu não conhecia nada de Lucifer's Friend, mas, quando ele anunciou a música, eu a ouvi em puro estado de êxtase. Até a minha irmã, que foi ao show a contragosto, estava se divertindo muito com a presença de Lawton.
Em um dado momento do show, John Lawton pediu que a platéia se abraçasse, então uns colocamos os braços ao redor dos outros e curtimos muito o momento.
O ponto alto foi July Morning, um antigo clássico do Heep que originalmente foi gravado pelo David Byron, o que levou a galera ao delírio.
Outro momento emocionante foi Free Me, em que a platéia cantou junto com Lawton. Boa parte das pessoas possivelmente não era fluente em inglês, mas se esforçou para cantar em uníssono o refrão.
No final do show, o mestre John Lawton esbanjou simpatia ao dar autógrafos para os fãs e tirar fotos com todos, inclusive eu.
Uma das músicas mais legais do show é de sua carreira solo, que se chama Still Paying My Dues Dues To The Blues, que também foi muito aplaudida. Depois é que eu fui descobrir que essa música é do seu disco solo de 2000, portanto é bastante recente. Essa canção só não foi mais aplaudida que July Morning, que levou o público pequeno, mas emocionado, ao delírio.
Em suma, foi um momento mágico e especial, em que um roqueiro das antigas mostrou todo o seu potencial para uma platéia calorosa. Lawton pegou nas mãos da platéia, se deixou ser abraçado por fãs durante o show e estava tão à vontade que chegou a se sentar no palco. São quase quarenta anos de história de rock, o que leva nós, que somos simplesmente crianças perante tais monstros sagrados, a nos curvarmos diante da realeza.
Li críticas no Correio Braziliense que davam a impressão de a platéia ter sido apática nas canções que não eram do Uriah Heep, o que não foi verdade. John Lawton arrasou em todos os momentos. A platéia simplesmente não acompanhou cantando as músicas de sua carreira solo e do Lucifer's Friend porque simplesmente não conhecia as letras, mas todos gostaram do mesmo jeito.
A banda brasileira que acompanhou Lawton também demonstrou muita competência em todos os momentos. Eles tocavam juntos há pouco tempo, mas o entrosamento era tão bom que parecia que eles já contavam anos de estrada.
No final, só ficou uma pergunta, quem é melhor, John Lawton ou o atual vocalista do Uriah Heep, Bernie Shaw, que tocou aqui em 2006. Bom, tanto faz, o importante é que o público de Brasília, tão carente de shows de Rock, teve a oportunidade de ver esses dois excelentes cantores. Somente quem pôde usufruir do talento de cada um deles é que pode fazer comparações.
A discografia do John Lawton é a seguinte –fonte Wikipedia:
Com Asterix
(pre-Lucifer's Friend)
Com Lucifer's Friend
- Lucifer's Friend - 1970
- Where the Groupies Killed the Blues - 1972
- I'm Just a Rock & Roll Singer - 1973
- Banquet - 1974
- Mind Exploding - 1975
- Mean Machine - 1981
- Sumo Grip - 1994
Com Les Humphries Singers
- We Are Goin' Down Jordan - 1971
- Singing Detonation - 1971
- Old Man Moses - 1971
- Mexico - 1972
- Sound '73 - 1973
- Mama Loo (= La Onu Cantante) - 1973
- Live in Europe - 1973
- Carnival - 1973
- Sound '73/II - 1973
- The World Of - 1973
- Kansas City - 1974
- Sound '74 - 1974
- One of These Days - 1974
- Rock 'n Roll Party - 1974
- Amazing Grace & Gospeltrain - 1975
- Party on the Rocks - 1975
Com Uriah Heep
- Firefly - 1977
- Innocent Victim - 1977
- Fallen Angel - 1978
- Live In Europe 79 - (gravado em 1979, lançado 1986)
- The Magician's Birthday Party - (recorded 2001, released 2002)
Solo albums
- Heartbeat (also released as "HardBeat") - 1980
- Still Paying My Dues to the Blues - 2000
Com Rebel
Com Zar
- Live Your Life Forever - 1990
Com Gunhill
- One Over the Eight - 1995
- Night Heat - 1997
Com The Hensley Lawton Band
- The Return (Live at Heepvention 2000) - 2000
Com The Lawton Dunning Project
- Steppin' It Up - 2002
- One More Night (Live) - 2002
Com T he John Lawton Band
- Sting in the Tale - 2003
- Shakin' the Tale - 2004
Com OTR - On The Rocks
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